Fotos: Priscila Prade
Há elencos que chamam atenção antes mesmo da estreia. Às vezes pelo texto, às vezes pela direção. Desta vez, são as sete mulheres reunidas em cena.
Em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical, Paula Capovilla, Bruna Guerin, Laura Castro, Letícia Soares, Malu Rodrigues, Stella Miranda e Verónica Valenttino dividem um suspense musical inspirado no clássico de Robert Thomas. Embora contem a mesma história, nenhuma delas chegou até aqui pelo mesmo caminho.
Algumas ajudaram a escrever a história do teatro musical brasileiro. Outras cresceram diante do público ou construíram a carreira entre o palco, a televisão, a música e a dublagem. São percursos diferentes, experiências diferentes e maneiras muito particulares de entender o ofício de interpretar.
Ao longo das próximas páginas, elas falam sobre os caminhos que percorreram, os personagens que deixaram marcas, os encontros que transformaram suas carreiras e a relação que construíram com o palco ao longo dos anos.
No fim, talvez o maior mistério não esteja na peça. Está naquilo que faz sete artistas tão diferentes encontrarem, na mesma história, um lugar para dividir a cena.
O espetáculo
Escrita pelo dramaturgo francês Robert Thomas no fim da década de 1950, a história atravessou diferentes gerações e formatos até chegar aos palcos brasileiros em uma versão inédita como teatro musical. Depois de adaptações para o cinema e de conquistar novos públicos ao redor do mundo, 7 Mulheres e um Mistério – O Musical ganha uma leitura brasileira assinada por Anna Toledo, responsável pela adaptação, letras e canções originais, com direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia.
A trama começa na véspera de Natal. Isoladas em uma mansão após um assassinato, sete mulheres passam a desconfiar umas das outras enquanto tentam descobrir quem cometeu o crime. Entre confissões inesperadas, alianças improváveis e muito humor, a narrativa transforma um clássico suspense policial em uma comédia musical de ritmo acelerado, marcada por reviravoltas e personagens tão exageradas quanto humanas.
Na adaptação brasileira, a música não aparece apenas como um recurso estético. Ela amplia emoções, revela aquilo que as personagens tentam esconder e ajuda a construir um protagonismo feminino mais complexo, em que cada mulher é movida por desejos, conflitos e contradições próprias.
Embora ambientada na França dos anos 1950, a história continua dialogando com questões bastante atuais. Relações de poder, segredos familiares, etarismo, papéis de gênero e preconceitos atravessam a narrativa sem abrir mão do humor. Talvez seja justamente essa combinação que explique por que um texto escrito há mais de seis décadas continua encontrando novos públicos e novas leituras.
Toda personagem guarda um segredo. Toda atriz, uma história.
“Quando você entra na máquina do mercado entende que o glamour não existe.” – Paula Capovilla
“Acho que, no começo, existe uma paixão muito intensa pela profissão. Com o tempo, essa paixão vai se transformando em amor.” – Bruna Guerin
“A arte transforma todos os dias a minha vida.” – Laura Castro
“A arte me ajuda a estar mais viva.” – Letícia Soares
“Hoje já não sinto que preciso provar o meu valor o tempo todo.” – Malu Rodrigues
“O amor pelo que faço é o que me mantém trabalhando.” – Stella Miranda
“Nós somos os sonhos daquelas que vieram antes.” – Verónica Valenttino
