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“O amor pelo que faço é o que me mantém trabalhando.” – Stella Miranda

Stella Miranda é uma das sete atrizes que estrelam a capa da Lumiar de agosto, edição especial da Pitaya dedicada ao teatro e às diferentes trajetórias que se encontram em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Em conversa com a revista, ela revisita sua formação teatral na França, fala sobre o amor pelo palco, o teatro musical brasileiro, personagens que marcaram sua carreira e a experiência de viver uma nova personagem depois de décadas de trajetória. | Foto: Priscila Prade

Quando Stella Miranda terminou a faculdade de Jornalismo, decidiu atravessar o oceano para estudar teatro na França. Foram quatro anos na Escola Jacques Lecoq, uma das mais tradicionais do mundo, com uma rotina intensa, das sete da manhã às seis da tarde.

Foi ali que teve a certeza de que o palco era o seu lugar.

Uma capa, sete histórias. Depois de ler a entrevista com a Stella, descubra também os outros seis perfis que compõem a Lumiar de agosto e as diferentes trajetórias que chegam ao palco de 7 Mulheres e um Mistério – O MusicalContinue a leitura.

O diretor da escola costumava brincar que “Stella Miranda” era um nome perfeito para uma atriz: Stella significava estrela; Miranda, alguém admirada. Ela nunca esqueceu aquele comentário. Não pelo significado do nome, mas porque foi naquele período que descobriu que estava exatamente onde deveria estar.

“Acho que a pessoa é para aquilo que nasce.”

Décadas depois, essa certeza continua guiando sua trajetória.

“O amor pelo que faço é o que me mantém trabalhando e querendo continuar.”

É esse entusiasmo que explica por que ela aceitou quase imediatamente o convite para integrar 7 Mulheres e um Mistério – O Musical.

Antes mesmo de ler a adaptação brasileira, bastou saber de onde vinha a história.

Ela já conhecia o filme de François Ozon, lembrava do elenco formado por Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e outras grandes atrizes do cinema francês, e gostava justamente da combinação entre suspense, humor e música.

“Eu sou apaixonada pela Agatha Christie, adoro esse tipo de mistério policial.”

Quando descobriu que Ricardo Grasson levaria a história aos palcos brasileiros, com músicas originais de Anna Toledo, não hesitou.

“Nem precisei ler o texto para achar a ideia interessantíssima.”

A proposta reunia exatamente aquilo de que mais gosta.

“Reunir sete mulheres em um musical de mistério me conquistou imediatamente.”

Stella conta que sempre teve um carinho especial por esse universo que os ingleses chamam de cozy mystery: histórias de assassinato que conduzem o público por uma investigação divertida até a revelação final.

Foi também uma oportunidade de interromper, por um tempo, a rotina dividida entre o Rio de Janeiro, o audiovisual e a dupla Xicotinho & Salto Alto.

“Abri esse hiato justamente para participar dessa grande farsa, dessa grande diversão, de musical e mistério.”

Na visão da atriz, é justamente essa combinação que mantém a história atual tantos anos depois.

Mistério, humor e música caminham juntos para criar uma experiência que diverte o público do começo ao fim.

“Existe esse conforto de acompanhar uma investigação sabendo que tudo será resolvido.”

Para Stella, essa sensação aproxima o público da narrativa. A versão brasileira ainda acrescenta músicas originais e assume completamente o lado farsesco da história, tornando tudo ainda mais divertido.

Para ela, esse contraste é parte da graça.

“Essa mistura é deliciosa.”

É assim que ela resume a experiência dos ensaios.

“Estou me sentindo num verdadeiro playground fazendo esse espetáculo.”

Em cena, as relações também fazem parte da brincadeira.

A família reúne mães, filhas, noras e netas que se amam, mas também desconfiam umas das outras.

“Todos escondem alguma coisa e todos suspeitam de todos.”

Como tudo acontece dentro da lógica da farsa, esses conflitos ganham proporções ainda maiores.

“Essas relações acabam ficando ainda mais interessantes e engraçadas.”

Ao longo de décadas de carreira, Stella viu o teatro brasileiro mudar de muitas formas. Ainda assim, acredita que existe algo que permanece exatamente igual.

“A essência.”

Ela lembra que foi justamente na França que percebeu que estava onde deveria estar.

“Desde então, tenho a sensação de estar exatamente onde deveria estar.”

Talvez seja por isso que ainda fale do palco com o mesmo entusiasmo.

“O que ainda me emociona é essa chama.”

Para explicar esse sentimento, cria uma imagem simples.

“Não importa se é um fósforo aceso, um isqueiro, uma lareira ou um incêndio: é sempre o mesmo fogo.”

Enquanto essa chama existir, diz ela, continuará apaixonada pelo teatro, pelo cinema, pela televisão e pelo audiovisual.

Ao olhar para trás, alguns personagens permanecem especialmente vivos.

Dona Álvara, de Toma Lá, Dá Cá, continua, segundo Stella, muito presente no imaginário do público.

“Até hoje as pessoas lembram dela com muito carinho, e isso me emociona.”

Outro papel marcante foi Carmen Miranda, personagem que interpretou no teatro e que lhe rendeu muitos prêmios. Ela também faz questão de lembrar da dupla Xicotinho & Salto Alto, que ocupa um lugar especial em sua trajetória.

Mas, quando fala sobre longevidade artística, Stella não associa esse percurso apenas ao tempo de carreira.

Para ela, existe um movimento que nunca pode parar.

“Sempre estive em movimento, mesmo quando os projetos enfrentavam dificuldades.”

É esse impulso que continua conduzindo sua trajetória.

“O amor pelo que faço é o que me mantém trabalhando e querendo continuar.”

Ela também acompanhou de perto a transformação do teatro musical brasileiro.

Participou do musical sobre Nelson Gonçalves, no fim dos anos 1990, período que considera o início de uma nova fase para o gênero no país. Hoje, observa um cenário muito diferente.

“Hoje estamos num nível comparável ao da Broadway e de Londres.”

Ela atribui esse crescimento à preparação dos artistas e à consolidação de um público que passou a acompanhar o teatro musical de forma cada vez mais consistente.

“Os artistas são extremamente preparados: cantam, dançam, sapateiam e interpretam com excelência. Além disso, formou-se um público muito forte para o teatro musical no Brasil.”

Em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical, Stella divide o palco com atrizes que acompanham essa evolução da cena brasileira.

Ela cita Malu Rodrigues, Bruna Guerin, Letícia Soares, Laura Castro, Verônica Valenttino e Paula Capovilla como parte dessa geração e conta que, nesta montagem, vive uma novidade na própria carreira.

“Para mim, a novidade é viver a matriarca, a avó, e estou adorando ocupar esse lugar.”

Quando perguntei que conselho daria às novas gerações de atrizes, Stella prefere não transformar sua experiência em regra.

“Não gosto muito da ideia de dar conselhos.”

Ainda assim, existe uma convicção que faz questão de compartilhar.

Ela acredita que cada pessoa precisa descobrir aquilo para o que nasceu.

Quando isso acontece, diz ela, o restante passa a fazer sentido.

“Façam aquilo que vocês amam, porque é o amor que nos move.”

Ao longo da conversa, Stella fala sobre a França, sobre personagens, sobre o teatro musical brasileiro e sobre a nova montagem. Mas todas essas histórias parecem voltar ao mesmo ponto.

Há décadas ela encontrou o lugar onde queria estar.

E continua ali.

Não por hábito, nem pelo tempo de carreira, mas porque ainda reconhece o mesmo entusiasmo que a levou ao palco pela primeira vez.

Talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos anos, Stella fale do teatro com a mesma naturalidade de quem encontrou o próprio lugar no mundo. Não porque o tempo tenha passado sem mudanças, mas porque algumas certezas permaneceram. 

“O amor pelo que faço é o que me mantém trabalhando.”

 

 


A história não termina aqui. A Lumiar de agosto reúne sete atrizes, sete trajetórias e diferentes formas de olhar para 7 Mulheres e um Mistério – O MusicalConheça também os outros seis perfis da nossa capa.

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7 Mulheres e um Mistério - O Musical
Mayara Morelli

Sobre a autora

Mayara Morelli

Mayara Morelli é jornalista, publicitária e editora-chefe da Pitaya mag. Sua especialidade é moda e comportamento, mas a curiosidade costuma levá-la para outros lugares. Escreve sobre tudo aquilo que merece uma boa conversa. Ao longo da carreira, entrevistou artistas, escritores, estilistas e criadores de diferentes partes do mundo. Estudou moda na Università Bocconi, trabalhou com marcas do universo joalheiro no Brasil e em Dubai e atualmente aprofunda seus estudos em cultura e pensamento moderno e pós-moderno pela Wesleyan University. Fora da redação, divide a vida com quatro cachorros que ocupam muito mais espaço do que deveriam. E exatamente o espaço que merecem.

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