“A arte transforma todos os dias a minha vida.” – Laura Castro
Laura Castro é uma das sete atrizes que estrelam a capa da Lumiar de agosto, edição especial da Pitaya dedicada ao teatro e às diferentes trajetórias que se encontram em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Em conversa com a revista, ela fala sobre mistério, música, criação artística, a experiência de dividir o palco com um elenco formado por mulheres e a forma como a arte atravessa sua vida dentro e fora da cena. | Foto: Priscila Prade
Laura Castro chega a um novo desafio nos palcos encontrando uma combinação que reúne duas linguagens que fazem parte da sua trajetória: o mistério e a música.
“Eu acho que é o primeiro espetáculo de mistério que eu já fiz”, conta. A novidade também foi um dos elementos que despertou seu interesse pela montagem. “Eu não vejo muitos mistérios por aí, especialmente musicais de mistério. Isso é muito legal porque eu acho que soma duas coisas que eu gosto muito.”
Uma capa, sete histórias. Depois de ler a entrevista com a Laura, descubra também os outros seis perfis que compõem a Lumiar de agosto e as diferentes trajetórias que chegam ao palco de 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Continue a leitura.
De um lado, está a possibilidade de acompanhar uma história que vai revelando suas respostas aos poucos. Do outro, a música, capaz de levar o público para outro universo e revelar aquilo que nem sempre aparece nas palavras.
No espetáculo, as canções ajudam a revelar sentimentos e informações sobre os personagens. Para Laura, elas funcionam como uma extensão daquilo que existe por dentro de cada um deles.
“É como se fossem subtextos dos personagens, coisas que os personagens, às vezes, estão sentindo. É como se eles pensassem em voz alta.”
A música, para ela, tem um papel essencial dentro da narrativa. “Ela tem uma função muito importante de contar mais informações, de dar pistas, de compartilhar um pouco o universo dos personagens e as motivações dos personagens.”
A história também brinca com aquilo que aparece e aquilo que está escondido. A família retratada na peça vive muito de aparências, mas Laura prefere preservar os mistérios que serão descobertos pelo público.
“Essa é uma família que vive muito de aparências, mas as coisas vão se revelando ao longo do espetáculo. E, quando você vê, tudo o que você imaginava não era.”
A surpresa também está na própria linguagem da montagem. Com referências ao realismo fantástico, o espetáculo propõe uma experiência diferente daquilo que o público costuma encontrar.
“A linguagem é uma coisa que vai surpreender muito, porque a gente está puxando muito uma referência do realismo fantástico.”
Para Laura, explorar esse universo tem sido uma experiência divertida. “É tudo muito marcado, tudo muito grande. E está sendo muito divertido brincar com isso, explorar esse lugar.”
Outro elemento que transforma a relação com a peça é o formato imersivo. Em vez de um palco italiano convencional, os atores circulam pelo espaço, criando uma dinâmica diferente com a plateia.
“É meio 180, né? Ao invés de ser um palco italiano convencional, a gente circula pelo espaço.”
O público também passa a participar desse jogo de descobertas. “O espectador não vai saber para onde olhar, sabe? Vai ter que ver várias vezes para catar essas pistas que vão sendo deixadas ao longo do espetáculo.”
Além da linguagem e da estrutura da montagem, Laura destaca os elementos que constroem visualmente esse universo. “Os figurinos estão espetaculares, o visagismo está incrível, as músicas, os arranjos… Está tudo muito legal.”
Mas uma das experiências mais marcantes dessa montagem acontece também na convivência entre as artistas. Pela primeira vez, Laura integra um espetáculo com um elenco formado exclusivamente por mulheres.
“É a primeira vez que eu estou vivendo um espetáculo só com mulheres no elenco. Isso é uma coisa rara e, nossa, como é incrível.”
Ela descreve essa troca como algo especial. “Esse elenco está sendo um presente.”
Entre ensaios, conversas e diferentes experiências de vida, Laura encontra um ambiente de acolhimento e compreensão. “A gente se diverte, a gente se entende, a gente troca experiência, a gente conversa sobre a vida.”
Para ela, essa convivência também cria um espaço de apoio entre mulheres. “Por sermos mulheres, em diferentes fases de vida também, eu acho que existe muito esse lugar do apoio e da sororidade.”
Essa troca também aparece na forma como Laura entende sua própria criação artística. Além da atuação, ela constrói uma trajetória como compositora e não separa essas linguagens.
“Eu acredito que a arte é muito múltipla e muito interdisciplinar. Então, uma coisa complementa a outra sempre.”
“Eu acho que, na verdade, é tudo um grande ecossistema.”
Sua inspiração vem de diferentes lugares: das pessoas, das conversas e da observação do mundo ao redor.
“Olhar o mundo, observar as pessoas, conversar com pessoas. Isso também me traz algo novo. Pode me inspirar a compor, pode me inspirar em uma personagem.”
A composição também influencia sua atuação. Entender a estrutura das letras e das músicas ajuda Laura a contar histórias de outras formas.
“Me traz também para esse lugar de entender a lógica da estrutura das letras das músicas, para saber cantar de uma forma melhor, contar melhor essa história ou então sugerir algo também.”
Na escolha de um projeto, a pergunta que guia Laura está sempre ligada à história que será contada.
“Qual é a história que eu estou contando aqui? E por que essa história é importante? E por que essa história me toca?”
“Qual vai ser a transformação que a gente está propondo com isso?”
Essa relação com a arte não existe apenas no trabalho. Para Laura, ela atravessa sua maneira de olhar para a vida.
“A arte transforma todos os dias a minha vida em diversos sentidos.”
Ela fala sobre como a arte está presente tanto no ato de criar quanto no de receber aquilo que outros artistas produzem.
“Eu acredito que a arte transforma tanto quem faz quanto quem consome. E eu tanto faço quanto consumo arte.”
Para Laura, ela também ensina, faz refletir, inspira, provoca conversas e, em alguns momentos, oferece um lugar de reencontro consigo mesma.
Músicas, peças, filmes e livros fazem parte dessa troca constante. “Eu me sinto alimentada todos os dias pela arte.”
Para Laura, a arte também amplia sua percepção sobre si mesma e sobre as pessoas ao redor.
“A arte faz com que eu me conheça melhor, faz com que eu conheça o mundo à minha volta melhor, faz com que eu conheça as pessoas melhor, que eu tenha mais empatia, um olhar mais aberto, ouvidos mais atentos.”
Mesmo interpretando diferentes personagens, existe algo que Laura escolhe preservar: aquilo que faz parte de quem ela é.
“Eu acho que as coisas que eu acredito. Os meus princípios de vida.”
Ela fala sobre manter seus valores independentemente do projeto ou personagem que esteja vivendo.
Honestidade, humildade, consciência do próprio trabalho e do próprio valor fazem parte daquilo que considera inegociável.
“Tudo que é inegociável para mim eu vou encontrar um jeito de continuar mantendo na minha vida.”
Porque, para ela, a personagem pode mudar, mas sua essência continua presente.
“Não importa o trabalho que eu faça, o personagem que eu faça, a Laura está ali.”
Entre os encontros que a profissão proporcionou, alguns ficaram especialmente marcados. Como quando conheceu Ivete Sangalo durante sua participação no The Voice. Ou quando encontrou Halle Bailey, uma artista que admirava há muitos anos.
“A Halle Bailey também foi um encontro muito improvável, porque eu era fã dela há muitos anos. E A Pequena Sereia me permitiu isso.”
São encontros que fazem parte de uma trajetória construída entre diferentes formas de criar e contar histórias. Para Laura Castro, a arte continua sendo um lugar de descoberta, troca e transformação.
A história não termina aqui. A Lumiar de agosto reúne sete atrizes, sete trajetórias e diferentes formas de olhar para 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Conheça também os outros seis perfis da nossa capa.
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