Lumiar

“Quando você entra na máquina do mercado entende que o glamour não existe.” – Paula Capovilla

Paula Capovilla é uma das sete atrizes que estrelam a capa da Lumiar de agosto, edição especial da Pitaya dedicada ao teatro e às diferentes trajetórias que se encontram em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Em conversa com a revista, ela fala sobre carreira, dublagem, personagens, o encontro com o público e as escolhas que construíram sua relação com a arte. | Foto: Priscila Prade

Quando perguntamos o que a atraiu em 7 Mulheres e um Mistério – O Musical, Paula Capovilla não fala primeiro da personagem nem da história.

Fala das pessoas.

Uma capa, sete histórias. Depois de ler a entrevista com a Paula, descubra também os outros seis perfis que compõem a Lumiar de agosto e as diferentes trajetórias que chegam ao palco de 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Continue a leitura.

O convite para integrar o elenco veio acompanhado de algo que ela valoriza há muito tempo: trabalhar ao lado de profissionais que admira.

“As pessoas envolvidas. Elenco, equipe criativa e equipe técnica. É muito bom trabalhar com pessoas que admiramos.”

É uma resposta que ajuda a entender a forma como Paula atravessa a profissão. Ao longo da conversa, ela fala pouco sobre reconhecimento e muito sobre troca, parceria e responsabilidade com quem está do outro lado da plateia.

Na peça, o que mais lhe interessa não é exatamente o segredo que move a história, mas a maneira como ele transforma quem está em cena.

“Com certeza é mais interessante ver como as relações se transformam quando os segredos são revelados e como as pessoas expõem as suas verdades.”

Humor e reflexão, para ela, também não ocupam lugares opostos.

Ao contrário.

“Divertir o público não significa não causar reflexão. O espetáculo faz você rir do começo ao fim e ainda assim apresenta situações e relações delicadas entre as pessoas que ali estão. Ele provoca inúmeros questionamentos sobre relações familiares e seus valores.”

Sobre a adaptação brasileira, prefere guardar o mistério.

Conta apenas que a versão assinada por Anna Toledo encontra novos caminhos para a história original.

“A versão da Anna Toledo traz questões modernas e necessárias. Ele com certeza não é uma cópia do filme. Se eu falar mais que isso será spoiler.”

Depois de tantos anos interpretando mulheres tão diferentes, a curiosidade continua existindo. Mas ela já não nasce apenas da personagem.

Nasce da possibilidade de provocar alguma transformação em quem assiste.

“Exatamente a possibilidade desta personagem transformar algo em quem assiste.”

As músicas seguem a mesma lógica.

“Difícil escolher uma única opção. Mas posso citar as músicas. Todas elas servem perfeitamente à história e aos ouvidos.”

Fora do palco, Paula também construiu uma carreira na dublagem. Em um lugar, o público reconhece seu rosto. No outro, apenas sua voz. Ela não estabelece diferença entre os dois.

“A minha dedicação e o meu amor à profissão. Independente do veículo todos terão minha entrega total.”

Entre tantas personagens, uma permanece especialmente viva.

Em Forever Young, Paula interpreta uma versão de si mesma aos 90 anos. A pesquisa para construir essa mulher acabou ultrapassando a ficção.

“Todo o processo de pesquisa para a construção da personagem me fez acender um alerta sobre os cuidados que precisamos ter com nosso corpo e mente para termos qualidade de vida na terceira idade.”

Quando lembra do início da carreira, ela não romantiza o caminho.

Conta que a profissão se mostrou muito diferente daquela que imaginava.

“O tempo me ensinou que a profissão é muito mais difícil do que imaginava. Quando você entra na máquina do mercado entende que o glamour não existe. Daí sobram trabalho duro e os bons amigos que fazemos.”

Ainda assim, há algo que continua despertando sua atenção.

É observar como cada pessoa leva uma mesma história para lugares completamente diferentes.

“Sempre gosto de observar como a arte toca cada pessoa. As percepções são sempre muito variadas. Isso mostra como somos diversos. Mas o mais importante é tocar o público. Não importa a maneira.”

Talvez por isso as histórias que mais a interessem hoje sejam justamente aquelas capazes de oferecer algum alívio.

“As que fazem rir. O mundo está cheio de situações tristes e violentas. Levar um pouco de alívio às pessoas me faz sentir cumprindo minha missão no equilíbrio da vida.”

Há apenas um momento em que Paula deixa de falar do público.

É quando olha para si.

Ela conta que demorou para descobrir qual caminho queria seguir. Antes da arte, vieram as dúvidas e muitos livros da faculdade de História.

“Eu demorei muito tempo para entender o que eu queria para a minha vida. Chorei muito em cima dos livros da faculdade de História. Na arte eu encontrei plenitude, mesmo com todas as dificuldades que vivi no caminho.”

No fim da conversa, fazemos uma última pergunta: quando alguém ouvir o nome Paula Capovilla, o que ela gostaria que viesse à cabeça?

A resposta é tão breve quanto sincera.

“Basta um sorriso no rosto.”

 

 


 

A história não termina aqui. A Lumiar de agosto reúne sete atrizes, sete trajetórias e diferentes formas de olhar para 7 Mulheres e um Mistério – O Musical. Conheça também os outros seis perfis da nossa capa.

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7 Mulheres e um Mistério - O Musical
Mayara Morelli

Sobre a autora

Mayara Morelli

Mayara Morelli é jornalista, publicitária e editora-chefe da Pitaya mag. Sua especialidade é moda e comportamento, mas a curiosidade costuma levá-la para outros lugares. Escreve sobre tudo aquilo que merece uma boa conversa. Ao longo da carreira, entrevistou artistas, escritores, estilistas e criadores de diferentes partes do mundo. Estudou moda na Università Bocconi, trabalhou com marcas do universo joalheiro no Brasil e em Dubai e atualmente aprofunda seus estudos em cultura e pensamento moderno e pós-moderno pela Wesleyan University. Fora da redação, divide a vida com quatro cachorros que ocupam muito mais espaço do que deveriam. E exatamente o espaço que merecem.

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