Você já parou para pensar como é bonito a forma como as crianças se relacionam com as roupas? Elas não se preocupam com tendências nem com o que está “na moda”. O que importa é se podem correr, pular, inventar mundos inteiros dentro daquele tecido. É se a roupa acompanha o corpo, em vez de o prender. É se ela faz parte da brincadeira.
E talvez seja justamente isso que devêssemos aprender com elas: a moda, quando é feita com verdade, precisa respeitar o movimento da vida.
Foi com esse pensamento que conversei com Fernanda, designer e fundadora da Le Retrô Petits, uma marca brasileira que há 15 anos constrói um caminho delicado entre o design autoral, a sustentabilidade e o afeto.
Conheci a Fernanda há alguns anos, através de uma stylist e amiga, quando a convidei para vestir uma de nossas capas de 2023. Lembro bem do dia, pois fomos dar uma volta em sua Kombi azul, linda, com cortinas de rendinhas que balançavam com o vento. Aquela Kombi parecia um reflexo da própria Fernanda: leve, gentil, autêntica.
Na época, sua loja ficava em uma galeria. E todos os dias, antes de ir embora, ela recolhia o lixo do lugar inteiro e levava até um local para reciclagem. Fazia isso sem alarde, sem pedir nada em troca, sem qualquer benefício. Fazia porque acreditava. E foi ali que entendi que, para ela, sustentabilidade nunca foi discurso, sempre foi prática.
Fomos jantar depois, em uma pizzaria artesanal deliciosa, e entre uma fatia e outra, Fernanda me contou como tudo começou.
Antes da Le Retrô Petits, existia apenas Fernanda: uma mulher cheia de ideias, amor pelas formas e um talento natural para transformar tecidos em afeto. Ela começou vendendo suas criações em feiras (daquelas em que o ar cheira a maresia e a conversa é boa). No início, fazia tudo sozinha: modelagem, corte, costura, embalagem. “Quando eu via todas as peças prontas, nem acreditava”, conta.
Com o tempo, o que começou de forma simples ganhou força e se transformou em uma das marcas mais respeitadas de moda sustentável e artesanal do país: Le Retrô e, mais recentemente, sua versão infantil, Le Retrô Petits.
“Na Le Retrô, cada peça nasce com o cuidado do feito à mão, respeitando o tempo da criação e o valor do trabalho humano”, diz ela.
Mas há algo ainda mais especial na Le Retrô Petits: a sensação de que cada roupa carrega um gesto, uma história, uma presença humana. “Criamos moda artesanal com propósito, beleza e consciência — e isso inclui pensar no futuro delas.”
A Le Retrô tem 15 anos de história e, em cada um deles, Fernanda manteve o mesmo compromisso: unir design autoral, consciência ambiental e cuidado em cada detalhe.
Hoje, suas peças vestem mulheres e crianças com o mesmo propósito: o de respeitar o corpo, o tempo e o planeta.
Ela fala sobre sustentabilidade com uma propriedade rara, porque vive isso.
As coleções da marca são produzidas com tecidos desfibrados e reaproveitados, e todos os resíduos do processo vão para o coprocessamento de energia industrial, garantindo que nada seja descartado de forma nociva. É o que ela chama de “compromisso lixo zero”.
Mas o que mais me encanta em Fernanda é o que vai além da técnica. Ela entende de beleza, mas também entende de leveza. De vestir pessoas reais. De fazer moda sem pressa, com alma.
“Mais do que roupas, queremos entregar histórias, propósito e a certeza de que é possível vestir beleza e consciência ao mesmo tempo”, me disse uma vez.
E é verdade. Cada costura, cada bordado, cada caimento guarda algo da sua delicadeza.
A moda que respeita o brincar
Na Le Retrô Petits, o mesmo olhar se estende à infância.
As roupas são feitas para acompanhar o movimento natural das crianças — para que elas possam correr, pular, se sujar, inventar mundos. São peças confortáveis, respiráveis e alegres, pensadas para abraçar a liberdade de ser pequeno.
Ela costuma dizer que “o mundo que deixamos para as crianças depende das escolhas que fazemos hoje”. E é exatamente isso que se sente ao ver suas criações: a preocupação com o agora, mas também com o depois.
Na Le Retrô Petits, cuidar do presente é proteger o futuro.
Fernanda veste personalidades conhecidas, mas nunca usa isso como vitrine, o trabalho fala por si. Quem conhece suas peças entende o motivo: há verdade nelas. Há qualidade, estilo, respeito.
E, no fim das contas, é isso que faz o nome de uma criadora — não o brilho do momento, mas a coerência entre o que se faz e o que se acredita.
Com Fernanda, moda e propósito caminham juntos. Sua trajetória é prova de que é possível vestir beleza e consciência ao mesmo tempo, e que a elegância mora naquilo que é feito com cuidado.
A moda que respeita o brincar é também a moda que respeita o tempo, o corpo e o planeta.
É feita de gestos pequenos, como recolher o lixo da galeria, dirigir uma Kombi azul, costurar até tarde, adotar um cachorro na praia.
Gestos que, juntos, costuram uma história de verdade, leveza e amor.
E é por isso que, quando penso na Fernanda e na Le Retrô, penso na beleza do que é feito devagar, com intenção.
Porque algumas roupas não vestem só o corpo, vestem o mundo.
Conheça: https://leretro.com.br/
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