Fashion Weeks

Zimmermann transforma a delicadeza das borboletas em exercício de construção

A Zimmermann apresentou Kaleidoscope, uma coleção de verão 2027 inspirada em borboletas e ilustrações científicas. Aplicações tridimensionais, rendas recortadas e acessórios ornamentados colocam o trabalho artesanal no centro da proposta.

Borboletas costumam aparecer na moda como estampas delicadas, referências à primavera ou símbolos de transformação. Na coleção de verão 2027, a Zimmermann escolheu ir além da representação gráfica. Em Kaleidoscope, o motivo se espalha pelas roupas e pelos acessórios em aplicações tridimensionais, bordados e recortes que dão ao trabalho artesanal um papel central.

Apresentada em Paris, em 5 de outubro, a coleção parte de uma imagem reconhecível da natureza para investigar o que acontece quando ela é traduzida em matéria. As asas aparecem em blusas curtas, saias longas, vestidos e bolsas. Em algumas peças, as aplicações criam uma superfície densa; em outras, a referência surge por meio de recortes e rendas que reproduzem padrões delicados.

O resultado muda conforme o tecido e a escala. Uma bolsa coberta por pequenas borboletas de tecido transforma o acessório em uma peça quase escultórica. Em vestidos e saias, o motivo acompanha o movimento do corpo, deixando de ser um detalhe isolado para participar da silhueta. A coleção também explora rendas recortadas a laser e aplicações modeladas manualmente, técnicas que exigem atenção à forma e à disposição dos elementos.

A inspiração veio acompanhada de referências visuais específicas. Nicky Zimmermann e sua equipe observaram ilustrações científicas do século XIX feitas por Harriet e Helena Scott, além de trabalhos de artistas contemporâneos. O nome Kaleidoscope remete tanto à mudança constante de padrões quanto ao coletivo de borboletas. Essa ideia ajuda a entender por que o desfile não se limita a repetir a mesma imagem em todas as peças: a figura se transforma ao passar por diferentes materiais e construções.

A natureza funciona aqui como ponto de partida para uma investigação estética. A fragilidade das asas, suas simetrias e variações de cor são traduzidas em elementos que precisam resistir à escala e ao uso de uma roupa. A delicadeza não depende apenas da aparência; ela exige uma construção capaz de produzir volume sem perder a definição dos detalhes.

A Zimmermann é conhecida por uma feminilidade marcada por estampas, rendas, volumes e referências românticas. Em Kaleidoscope, esses códigos continuam presentes, mas o trabalho manual e a experimentação com superfícies recebem mais destaque. A coleção amplia o repertório da marca sem abandonar a relação com o vestuário ornamental.

Há uma diferença entre usar a natureza como imagem e estudar suas formas para construir uma peça. O desfile se aproxima dessa segunda possibilidade quando transforma as asas em recortes, relevos e texturas. Isso não significa que a coleção apresente uma proposta ambiental apenas por recorrer a um tema natural. A relevância está no trabalho de construção, não em atribuir à inspiração uma responsabilidade ecológica que ela, sozinha, não comprova.

A borboleta também carrega uma associação inevitável com a metamorfose. Na passarela, porém, a transformação mais interessante é material: o desenho de uma asa se torna bordado, o bordado ganha volume e o volume passa a definir a aparência de uma bolsa ou de um vestido. A imagem inicial permanece reconhecível, mas muda de função.

Com Kaleidoscope, a Zimmermann investe em uma coleção na qual a ornamentação depende de pesquisa visual e execução cuidadosa. O desfile encontra força na maneira como transforma um motivo familiar em diferentes soluções de design, provando que a delicadeza também pode ser resultado de trabalho técnico intenso.

Compartilhar

Redação Pitaya

Sobre a autora

Redação Pitaya

Quando um texto aparece com esta assinatura, significa que ele foi construído por nossa equipe editorial. Estamos sempre em busca de histórias, ideias e conversas que merecem ser contadas, da cultura ao comportamento, da beleza ao bem-estar, passando por tudo aquilo que nos conecta como pessoas. Porque algumas histórias têm uma autores. Outras, são um pouco de todos nós.

Ver todos os textos

Se este texto ficou com você...

Gostou desta leitura?

Assine a newsletter da Pitaya e receba histórias como esta quinzenalmente.