A expressão nasceu como meme para falar sobre um tipo muito específico de mulher online. A garota hiperconectada, emocional, estética, caótica, autoconsciente e talvez com abas demais abertas ao mesmo tempo.
A expressão nasceu como meme para falar sobre um tipo muito específico de mulher online. A garota hiperconectada, emocional, estética, caótica, autoconsciente e talvez com abas demais abertas ao mesmo tempo.
A “Woman in SPAM”:
- manda 12 áudios seguidos e depois desaparece por dois dias,
- salva referências no Pinterest às duas da manhã (aproveita e segue a Pitaya mag por lá),
- transforma sofrimento em playlist,
- fala “preciso sumir da internet” enquanto posta story,
- muda completamente de estética em menos de um mês,
- consegue fazer um tweet parecer uma crise existencial cuidadosamente roteirizada.
Ela existe entre o excesso e a performance.
Entre o meme e o sentimento real.
O mais interessante é que o termo começou como piada, mas rapidamente virou outra coisa. Porque por trás do humor existe uma observação muito verdadeira sobre como a internet enxerga comportamentos femininos.
Durante anos, tudo que mulheres faziam online foi tratado como exagero.
Meninas emocionais demais.
Meninas online demais.
Meninas dramáticas demais.
Enquanto homens hiperfixados em fóruns eram vistos como especialistas, mulheres obcecadas por estética, fandom, referências visuais, cultura pop ou oversharing eram reduzidas a “futilidade digital”.
Mas talvez exista uma ironia bonita nisso tudo:
boa parte da cultura da internet nasceu justamente dessas mulheres.
As garotas do Tumblr moldaram linguagem visual antes das marcas aprenderem a usar “moodboard” em apresentação.
As meninas dos fandoms transformaram edição, montagem, estética e engajamento em linguagem cultural.
As garotas do Pinterest anteciparam tendências visuais inteiras sem receber crédito por isso.
As women in spam estavam criando cultura enquanto a internet ria delas.
Talvez por isso o meme tenha ficado tão popular.
Porque ele brinca com uma coisa que muitas mulheres reconhecem imediatamente: a sensação de viver online de forma intensa demais e ao mesmo tempo transformar isso em linguagem, humor, estética e identidade.
Existe também algo muito contemporâneo nessa personagem.
A mulher que documenta a própria vida em tempo real.
Que cria versões de si mesma através de referências.
Que organiza sentimentos em playlists, screenshots, tweets salvos e notas no celular.
Que performa um pouco, ironiza muito e sente de verdade no meio disso tudo.
A internet passou anos chamando isso de “cringe”.
Agora talvez esteja começando a perceber que isso também é criação.
Porque talvez a “Woman in SPAM” não seja só uma mulher online demais.
Talvez ela seja a pessoa que entendeu antes de todo mundo que existir na internet também é uma forma de linguagem.
E honestamente?
A internet seria muito mais sem graça sem ela.


