Sobre escolher a alegria e escolher a si mesma
Às vezes, a vida parece demais. Sem esperança demais. Escura demais. A vida não é feita apenas de momentos bons. E, normalmente, isso seria uma coisa boa. Mas, quando tudo parece demais, quando as coisas vão se acumulando e dão a sensação de que estão esmagando você, você sofre. E a sua saúde mental também sofre.
A situação de cada pessoa é diferente, então começo dizendo o seguinte: pedir ajuda é sempre uma boa escolha. Se você se sente assim, não só é completamente legítimo buscar ajuda, como isso também faz de você uma pessoa corajosa. Conseguir pedir ajuda e escolher lutar por si mesma exige força. Se estiver em dúvida, procure ajuda profissional.
Às vezes, a ajuda vem na forma de uma conversa com amigos. Às vezes, vem na forma de terapia. Só você pode decidir o que faz sentido para a sua situação.
Um dos caminhos possíveis é escolher ativamente a alegria, seja lá o que isso significa para você.
No meu caso, escolher a alegria foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Eu estava presa à ideia de corresponder às expectativas da minha família, às expectativas sociais e, agora, a uma crise econômica que ameaça o meu emprego.
Sempre que pensava no futuro, só conseguia enxergar a mim mesma presa à corrida sem fim do meu trabalho, em um relacionamento que só poderia ser descrito como acomodação, sem amor ou qualquer entusiasmo. Eu me sentia presa em uma vida sem sonhos e sem esperança, criada para ser uma pessoa que funciona, mas que abre mão da própria individualidade e dos próprios sonhos.
Fui criada para ser a clássica “boa menina”: seguir uma carreira considerada certa, não correr riscos, ser boa. Nada disso incluía alegria.
Seja boa, não feliz.
Porque ser boa deveria fazer você feliz.
Riscos são o que fazem você infeliz.
Existe alguma verdade nisso. Correr um risco e fracassar pode, de fato, trazer infelicidade. Mas existe também a possibilidade de dar certo. E de você ser feliz.
Às vezes, quando estamos presas nesse tipo de escuridão, alguma coisa pequena entra na nossa vida e acende uma faísca.
No meu caso, foi uma música tocando na festa de aniversário de uma amiga.
Por fora, eu conseguia manter a máscara de pessoa “feliz” e “funcional”. A boa menina vem acompanhada de um sorriso agradável o suficiente para não levantar perguntas. Mas, por dentro, era diferente.
Depois da festa, aquela música não saía da minha cabeça. Procurei a música, descobri outras da banda e comecei a ouvir.
O som era alto, barulhento, contagiante e o mais distante possível daquilo que a minha versão “boa menina” havia aprendido a gostar.
Mas, acima de tudo, era alegre.
Eu senti uma alegria de verdade pela primeira vez em muito tempo. Ouvi aquelas músicas e até fiz uma pequena festa particular na sala da minha casa, o que, infelizmente, refletia bastante bem o estado da minha cabeça naquele momento.
Às vezes, a vida não entrega alegria apenas em pequenas doses. Às vezes, ela coloca uma alegria tão grande no nosso caminho que, no fim, ela também nos desafia.
Enquanto descobria a alegria e o amor que encontrei na banda Stray Kids, percebi que eles estavam em turnê, e que a etapa europeia daquela turnê estava começando.
Agora, sendo fiel àquela “boa menina” que eu havia aprendido a ser, isso significava que eu não poderia fazer nada a respeito.
Eles estavam perto. Mas era só isso.
Eu não poderia simplesmente decidir ir a um show por impulso, certo?
O show no meu país aconteceu e passou. Eu vi a alegria que aquilo trouxe para todas as pessoas que foram. E senti a frustração de não ter tido coragem de desafiar a “boa menina” dentro de mim por uma noite e simplesmente ir.
A escuridão acenou para mim.
E, pela primeira vez, decidi não deixá-la me levar.
Em vez disso, decidi escolher a alegria.
Eu iria desafiar a persona da “boa menina” e escolher ativamente alguma coisa que me fizesse feliz.
No dia seguinte, assim que voltei do trabalho, procurei ingressos para as quatro próximas paradas da turnê: dois shows em Londres e dois em Paris.
Londres acabou sendo financeiramente inviável.
E, apesar de ter decidido escolher a alegria, olhar para as próprias finanças continua sendo importante.
Alegria pode assumir qualquer forma. Ela não precisa ser cara.
Você também pode escolher uma forma de alegria que custe muito pouco. Como dançar na rua enquanto o mundo olha para você de um jeito estranho. Ou entrar em uma floresta e simplesmente ouvir os animais. Ou pegar algumas aquarelas e desenhar qualquer coisa, sem se importar com o resultado.
Então, consciente dos meus limites financeiros em meio a essa crise econômica, Londres estava fora de questão.
Paris, porém, não.
Naquele exato momento, um novo lote de ingressos foi colocado à venda. E assim nasceu a ideia de passar um dia em Paris. Mais do que nascer, ela foi abraçada e colocada em prática.
Estava tão distante das expectativas sociais e familiares que eu havia aprendido a seguir.
Mas me fazia feliz.
Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha alguma coisa pela qual esperar.
E isso, por si só, valeu cada centavo que gastei.
Escolher fazer alguma coisa, qualquer coisa, que tenha como único propósito fazer você feliz é um ato de amor-próprio que não deveria ser diminuído.
Vivemos em uma época em que as expectativas e os acontecimentos do mundo nos impedem, muitas vezes, até dos gestos mais simples de amor-próprio.
Talvez, às vezes, a gente realmente precise de um grande gesto de amor por nós mesmas para lembrar que não apenas somos capazes de nos amar, como também merecemos esse amor.
Leve você mesma para um encontro
Quem disse que apenas o seu parceiro ou parceira pode levar você a um encontro?
Escolha aquilo que traz alegria para você. Não tenha medo de fazer algo pequeno, se é disso que você precisa, ou algo enorme, se é isso que deseja. E então vá.
Sozinha, se for preciso.
Leve você mesma para um encontro e aproveite o dia.
Desligue o mundo por um tempo. Não leia as notícias. Apenas esteja presente com você mesma e com a sua alegria.
Você merece ser amada.
Você merece alegria.
E você merece amar a si mesma.
Abrace isso.
E abrace a si mesma.
E, mais uma vez: se você precisar de ajuda, não tenha medo de procurar alguém.
Admitir que você precisa de ajuda também é uma forma de força e de amor-próprio.
Procure a ajuda de que você precisa.
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