Fashion Weeks

Daniel Roseberry está ensinando a Schiaparelli a vestir a vida real

Daniel Roseberry parte da linguagem extravagante da Schiaparelli para responder a uma questão prática: como transformar a couture em roupa que possa fazer parte do cotidiano? Na coleção Going Clear, vestidos, golas e elementos escultóricos são desmontados e reorganizados em peças separadas, enquanto os códigos da maison continuam reconhecíveis.

Durante alguns anos, Schiaparelli foi reconhecida principalmente pelas roupas que pareciam feitas para uma imagem.

Vestidos de alta-costura, corpos esculpidos, anatomia, joias-surrealistas, celebridades no tapete vermelho.

Daniel Roseberry ajudou a construir essa imagem desde que assumiu a direção criativa da maison. Agora, a questão é outra: o que acontece quando essa linguagem precisa sair da noite de gala e entrar no guarda-roupa?

Na primavera-verão 2027, Roseberry encontra uma resposta desmontando a própria couture.

Schiaparelli: como Daniel Roseberry está transformando couture em roupa

Quando o vestido deixa de ser um vestido

A coleção se chama Going Clear e foi apresentada nos subterrâneos do Louvre.

Roseberry parte de códigos conhecidos da Schiaparelli e muda sua estrutura. Silhuetas, golas e elementos que poderiam aparecer em um vestido de couture são transformados em tops, saias e outras peças separadas.

A operação parece simples, mas muda completamente a relação com a roupa.

Um vestido exige uma ocasião específica. Uma saia ou um top pode entrar em combinações diferentes.

A couture deixa de funcionar como uma imagem fechada e começa a funcionar como um sistema de peças.

A Schiaparelli de todos os dias

Essa preocupação não começou agora.

Em 2024, Roseberry já explicava à Vogue Business que precisava construir uma presença cotidiana para a Schiaparelli. A intenção era que a mulher da maison pudesse ser reconhecida também fora dos momentos extraordinários para os quais a couture costuma ser pensada.

A passagem para o ready-to-wear, portanto, não significa diminuir a fantasia.

Significa encontrar outros lugares para ela existir.

Na SS27, isso aparece na própria construção das peças.

As referências à anatomia continuam. O surrealismo continua. O Schiap jacket continua sendo importante. Mas a coleção abre espaço para blazers, calças, malhas, vestidos de dia, saias e peças que podem ser combinadas entre si.

A fantasia começa a ganhar rotina.

Schiaparelli: como Daniel Roseberry está transformando couture em roupa

O Schiap jacket

O paletó ocupa uma posição central nessa investigação.

Elsa Schiaparelli já havia transformado o casaco em superfície para a arte. Seus jackets podiam receber bordados e imagens surrealistas e eram pensados para chamar atenção mesmo quando a parte inferior da roupa permanecia mais discreta.

Roseberry retoma essa lógica, mas a coloca dentro de uma coleção que trabalha com separações.

A peça pode ser o elemento mais expressivo de uma composição sem exigir que todo o resto faça o mesmo.

É uma solução particularmente interessante para uma casa que construiu grande parte de sua força recente em torno de imagens de impacto.

Menos fantasia?

Não exatamente.

A coleção ainda tem os códigos que tornaram Roseberry reconhecível.

Há referências ao corpo, detalhes escultóricos, tecidos transparentes, elementos florais e a teatralidade característica da Schiaparelli.

A diferença está no lugar que essas coisas ocupam.

Em vez de concentrar toda a fantasia em um único vestido, Roseberry distribui a linguagem pela coleção.

Uma gola pode carregar a identidade da maison. Um blazer pode fazer isso. Uma saia também.

Isso permite que a roupa seja reconhecida sem precisar parecer um figurino.

Schiaparelli: como Daniel Roseberry está transformando couture em roupa

O luxo depois da imagem

A decisão também diz algo sobre o momento da Schiaparelli.

A maison construiu uma presença enorme na cultura pop e nos tapetes vermelhos. Mas uma marca de moda precisa sobreviver aos momentos de exceção. Precisa existir no armário, no corpo e na repetição.

É justamente aí que Going Clear fica interessante.

Roseberry não está tentando fazer Schiaparelli parecer básica.

Está tentando descobrir quanto da Schiaparelli pode permanecer quando a roupa deixa de depender de uma grande ocasião.

A resposta está nas peças separadas, na possibilidade de combinação e na couture usada como linguagem.

Talvez seja esse o próximo passo da casa: fazer com que uma mulher possa levar um pouco do surrealismo de Elsa Schiaparelli para uma terça-feira qualquer.

Sem precisar esperar pelo tapete vermelho.

Durante alguns anos, Schiaparelli foi reconhecida principalmente pelas roupas que pareciam feitas para uma imagem.

Vestidos de alta-costura, corpos esculpidos, anatomia, joias-surrealistas, celebridades no tapete vermelho.

Daniel Roseberry ajudou a construir essa imagem desde que assumiu a direção criativa da maison. Agora, a questão é outra: o que acontece quando essa linguagem precisa sair da noite de gala e entrar no guarda-roupa?

Na primavera-verão 2027, Roseberry encontra uma resposta desmontando a própria couture.

Quando o vestido deixa de ser um vestido

A coleção se chama Going Clear e foi apresentada nos subterrâneos do Louvre.

Roseberry parte de códigos conhecidos da Schiaparelli e muda sua estrutura. Silhuetas, golas e elementos que poderiam aparecer em um vestido de couture são transformados em tops, saias e outras peças separadas.

A operação parece simples, mas muda completamente a relação com a roupa.

Um vestido exige uma ocasião específica. Uma saia ou um top pode entrar em combinações diferentes.

A couture deixa de funcionar como uma imagem fechada e começa a funcionar como um sistema de peças.

A Schiaparelli de todos os dias

Essa preocupação não começou agora.

Em 2024, Roseberry já explicava à Vogue Business que precisava construir uma presença cotidiana para a Schiaparelli. A intenção era que a mulher da maison pudesse ser reconhecida também fora dos momentos extraordinários para os quais a couture costuma ser pensada.

A passagem para o ready-to-wear, portanto, não significa diminuir a fantasia.

Significa encontrar outros lugares para ela existir.

Na SS27, isso aparece na própria construção das peças.

As referências à anatomia continuam. O surrealismo continua. O Schiap jacket continua sendo importante. Mas a coleção abre espaço para blazers, calças, malhas, vestidos de dia, saias e peças que podem ser combinadas entre si.

A fantasia começa a ganhar rotina.

O Schiap jacket

O paletó ocupa uma posição central nessa investigação.

Elsa Schiaparelli já havia transformado o casaco em superfície para a arte. Seus jackets podiam receber bordados e imagens surrealistas e eram pensados para chamar atenção mesmo quando a parte inferior da roupa permanecia mais discreta.

Roseberry retoma essa lógica, mas a coloca dentro de uma coleção que trabalha com separações.

A peça pode ser o elemento mais expressivo de uma composição sem exigir que todo o resto faça o mesmo.

É uma solução particularmente interessante para uma casa que construiu grande parte de sua força recente em torno de imagens de impacto.

Menos fantasia?

Não exatamente.

A coleção ainda tem os códigos que tornaram Roseberry reconhecível.

Há referências ao corpo, detalhes escultóricos, tecidos transparentes, elementos florais e a teatralidade característica da Schiaparelli.

A diferença está no lugar que essas coisas ocupam.

Em vez de concentrar toda a fantasia em um único vestido, Roseberry distribui a linguagem pela coleção.

Uma gola pode carregar a identidade da maison. Um blazer pode fazer isso. Uma saia também.

Isso permite que a roupa seja reconhecida sem precisar parecer um figurino.

O luxo depois da imagem

A decisão também diz algo sobre o momento da Schiaparelli.

A maison construiu uma presença enorme na cultura pop e nos tapetes vermelhos. Mas uma marca de moda precisa sobreviver aos momentos de exceção. Precisa existir no armário, no corpo e na repetição.

É justamente aí que Going Clear fica interessante.

Roseberry não está tentando fazer Schiaparelli parecer básica.

Está tentando descobrir quanto da Schiaparelli pode permanecer quando a roupa deixa de depender de uma grande ocasião.

A resposta está nas peças separadas, na possibilidade de combinação e na couture usada como linguagem.

Talvez seja esse o próximo passo da casa: fazer com que uma mulher possa levar um pouco do surrealismo de Elsa Schiaparelli para uma terça-feira qualquer.

Sem precisar esperar pelo tapete vermelho.

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Redação Pitaya

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