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A sandália invisível que deu origem à nova Ferragamo

Maximilian Davis parte da icônica Invisible Sandal criada por Salvatore Ferragamo em 1947 para construir a primavera-verão 2027. A referência ao design transparente leva a coleção aos anos 1940, à fotografia de Lee Miller e Man Ray e a uma nova leitura das silhuetas femininas daquele período.

Em 1947, Salvatore Ferragamo criou uma sandália que parecia desafiar a própria ideia de construção. O salto em formato de F deixava o calcanhar aparentemente suspenso, enquanto a parte superior era feita de um fio de nylon transparente. Quase oitenta anos depois, essa peça voltou a ser o ponto de partida para Maximilian Davis.

A referência é importante porque fala de tecnologia antes mesmo de a tecnologia ocupar o vocabulário atual da moda.

O nylon usado na Invisible Sandal havia sido desenvolvido apenas doze anos antes. Ferragamo encontrou uma maneira de transformar um material relativamente novo em uma solução estética e funcional. Davis parte dessa mesma lógica para construir sua primavera-verão 2027.

A sandália também abriu uma porta para outra época.

A aparência surrealista do modelo de 1947 levou o designer até Lee Miller e Man Ray e à técnica de solarização desenvolvida pelos dois. Miller, por sua vez, levou Davis até suas fotografias feitas no Egito e, depois, até o trabalho que realizou durante a guerra para a Vogue.

O resultado não é uma coleção de inspiração histórica no sentido mais literal.

A década de 1940 aparece principalmente na silhueta. A cintura volta a ganhar importância, enquanto a construção dos looks mistura alfaiataria, transparências, volumes e materiais mais fluidos. O passado funciona como uma sequência de pistas que leva a coleção para outro lugar.

É um caminho interessante para uma marca com uma história tão forte ligada à inovação.

Salvatore Ferragamo ficou conhecido pela capacidade de pensar o sapato a partir de problemas concretos, experimentando materiais e estruturas. Recuperar justamente a Invisible Sandal significa recuperar uma parte dessa história que não depende apenas de aparência.

A sandália é bonita, mas sua importância está no raciocínio por trás dela.

Davis parece entender isso. Em vez de transformar o arquivo em uma coleção de réplicas, ele procura o momento em que uma invenção muda a maneira como uma peça pode existir.

Quase oitenta anos depois, a pergunta continua atual: o que acontece quando um material novo deixa de ser novidade e passa a fazer parte da história?

Na Ferragamo, a resposta começa por uma sandália que já parecia estar flutuando antes mesmo de chegar ao presente.

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Redação Pitaya

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