Beleza

A beleza cansou de parecer natural

Depois de anos de minimalismo, dados de busca e análises do mercado apontam para uma retomada de maquiagens mais pigmentadas, divertidas e visíveis. A mudança não elimina a beleza natural, mas amplia o espaço para outras formas de expressão.

Durante alguns anos, a maquiagem pareceu perseguir um objetivo bastante específico: parecer que não havia maquiagem.

A pele deveria ser uniforme, mas não pesada. O blush precisava parecer natural. Os lábios deveriam ter cor, mas não necessariamente parecer maquiados. O cabelo podia estar arrumado, desde que a produção transmitisse alguma ideia de facilidade.

A estética clean não desapareceu. Mas os sinais de que ela deixou de ocupar sozinha o centro da conversa são cada vez mais claros.

Em janeiro de 2026, a Vogue Business publicou uma análise baseada em dados da agência de tendências Spate que apontou crescimento nas buscas por maquiagens mais expressivas. Segundo os dados citados pela publicação, as buscas por “bold makeup” cresceram 22,2%, “fun makeup”, 17,5%, e “alt makeup”, 16,7%. No mesmo período analisado, as buscas por peel-off lip stains cresceram 388,9% e por máscaras em tons de ameixa, 292,6%.

Os números não significam que todas as consumidoras estejam abandonando a maquiagem discreta. Eles mostram outra coisa: há interesse crescente por alternativas mais visíveis.

Isso também aparece nas passarelas e na leitura de mercado.

A Vogue Business apontou para 2026 o crescimento de batons mais marcantes, sobrancelhas fortes e blushes pigmentados. A publicação também identificou uma retomada de referências de cabelo associadas aos anos 1980.

O movimento é interessante porque acontece depois de um período em que a beleza foi muito associada à ideia de aperfeiçoamento discreto.

A pele deveria parecer saudável. O cabelo, naturalmente bonito. A maquiagem, quase inexistente.

Agora, produtos e técnicas que assumem sua presença começam a ganhar novamente espaço.

Isso não significa uma rejeição ao minimalismo. As duas estéticas continuam convivendo.

O que parece estar mudando é a ideia de que existe uma única maneira correta de parecer bonita.

A maquiagem pode corrigir, mas também pode transformar.

Pode ser discreta ou exagerada.

Pode buscar naturalidade ou assumir que foi construída.

Essa mudança também aparece em produtos específicos. O crescimento das buscas por lip stains, por exemplo, mostra interesse por uma categoria que oferece cor evidente sem necessariamente reproduzir o acabamento tradicional de um batom.

É possível interpretar esse movimento como uma reação ao excesso de uniformidade estética dos últimos anos. Mas essa é uma leitura, não uma conclusão comprovada pelos dados.

O que os dados permitem afirmar é mais simples:

a maquiagem mais expressiva voltou a despertar interesse.

E pode ser que isso seja suficiente.

Porque a beleza não precisa escolher entre parecer natural e parecer maquiada.

Depois de tantos anos em que a maquiagem precisou fingir que não existia, existe espaço para deixá-la aparecer.

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Redação Pitaya

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