Artemisi leva misticismo e experimentação tecnológica à SPFW
Em The Holy Matter, Mayari Jubini combina estruturas esculturais, pedrarias e impressão 3D em uma coleção que coloca o trabalho manual no centro da criação.
O corpo ganha novas formas na coleção que Mayari Jubini apresentou pela Artemisi na São Paulo Fashion Week N61. Em The Holy Matter, o misticismo e a alquimia orientam uma sequência de criações que transitam entre o vestuário e o universo dos figurinos, com silhuetas imponentes, superfícies brilhantes e acessórios que parecem pertencer a outra dimensão.
Corsets com franjas de maxicanutilhos, vestidos inteiramente bordados, capas metálicas que remetem a escamas e chapéus pontudos compõem o repertório visual da coleção. As peças exploram o volume e a ornamentação, enquanto máscaras e estruturas rígidas alteram os contornos do corpo.

A impressão 3D, já presente na linguagem da marca, aparece em tops anatômicos, leques estruturados e acessórios. A tecnologia, entretanto, não elimina as etapas manuais. Depois de impressas, as peças passam por processos de preparação, acabamento e polimento, além de receberem aplicações de cristais e pedrarias.
O resultado é um trabalho em que a aparência futurista depende de uma execução minuciosa. Segundo informações divulgadas pela marca e repercutidas na imprensa durante a temporada, a coleção reuniu cerca de 700 mil cristais e pedrarias e exigiu mais de 20 mil horas de trabalho manual.

A ornamentação não se limita às criações de maior impacto visual. Corpetes de renda bordados, minivestidos estruturados em jacquard e saias curtas cobertas por plumas ampliam as possibilidades apresentadas na passarela. São peças que preservam o apelo teatral da Artemisi, mas exploram diferentes maneiras de incorporar os códigos da marca ao vestuário.
A relação entre o sagrado e o profano também atravessa a construção visual de The Holy Matter. O brilho das superfícies, as estruturas metálicas e as formas que envolvem o corpo criam uma atmosfera que oscila entre o angelical, o fantástico e o futurista.

Na Artemisi, a tecnologia funciona como mais uma ferramenta de experimentação. É a combinação entre recursos digitais, materiais e trabalho manual que dá forma às criações, mantendo a construção da peça tão importante quanto a imagem que ela apresenta na passarela.
Sobre a autora
Mayara Morelli é jornalista, publicitária e editora-chefe da Pitaya mag. Sua especialidade é moda e comportamento, mas a curiosidade costuma levá-la para outros lugares. Escreve sobre tudo aquilo que merece uma boa conversa. Ao longo da carreira, entrevistou artistas, escritores, estilistas e criadores de diferentes partes do mundo. Estudou moda na Università Bocconi, trabalhou com marcas do universo joalheiro no Brasil e em Dubai e atualmente aprofunda seus estudos em cultura e pensamento moderno e pós-moderno pela Wesleyan University. Fora da redação, divide a vida com quatro cachorros que ocupam muito mais espaço do que deveriam. E exatamente o espaço que merecem.
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