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Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

Andreas Kronthaler partiu de uma jaqueta do século XVII para desenvolver a primavera-verão 2027 da Vivienne Westwood, colocando as costas das peças no centro da construção. Tecidos de algodão bazin encontrados em Barbès, xadrezes, flores, tule, corseteria e roupas leves compõem a coleção. A apresentação no Palais de la Femme também marcou uma colaboração com a organização Body & Soul, dedicada à prevenção do suicídio.

Uma jaqueta do século XVII ajudou Andreas Kronthaler a definir a primavera-verão 2027 da Vivienne Westwood. Conhecida como Cheat Jacket, a peça histórica utilizava tecido nobre na frente e material mais simples nas costas. Kronthaler se interessou pela construção e decidiu inverter a importância tradicional dessas duas partes da roupa.

“Às vezes acho que as costas são mais importantes que a frente”, contou à ELLE. “Porque, nas costas, somos todos iguais.”

Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

Vivienne Westwood coloca as costas da roupa em primeiro plano

A ideia atravessa a coleção. Jaquetas, casacos e peças drapeadas foram construídos para que o movimento revelasse detalhes que poderiam passar despercebidos de frente. A parte posterior deixa de ser apenas acabamento e passa a participar do desenho.

É uma escolha coerente com a história da maison, que há décadas trabalha com corseteria, volumes históricos, alfaiataria e drapeados para alterar a silhueta. Kronthaler mantém esse repertório, mas o coloca em contato com referências que vieram de uma viagem recente e de sua própria pesquisa de materiais.

A coleção começou a tomar forma em Barbès, bairro do norte de Paris onde o designer comprou tecidos de algodão bazin em cores intensas. Esses materiais aparecem ao lado de xadrezes, estampas florais, leopardo, tule e cetim. A paleta inclui pastéis, gingham e cores vibrantes, enquanto nightshirts de seda e algodão convivem com corsets leves e vestidos de construção histórica.

A mistura tem a irreverência esperada da marca, mas também uma dimensão prática. Kronthaler mencionou que passou parte do verão usando nightshirts, uma experiência que influenciou o interesse por roupas leves e menos estruturadas. As peças de praia, que o designer destacou entre suas preferidas, reforçam essa vontade de trabalhar com roupas que deixam o corpo se mover.

O resultado alterna silhuetas exageradas e peças mais simples. Há mangas esculturais, saias com referências renascentistas, vestidos assimétricos e corseteria, mas também camisas amplas, roupas de praia e combinações que parecem ter sido montadas sem preocupação com uma única imagem de elegância.

O humor continua presente. Estampas com frases, acessórios provocativos e a mistura de elementos masculinos e femininos mantêm a coleção próxima da atitude punk que faz parte da história de Westwood. A diferença está na maneira como essas referências são articuladas: o punk não aparece apenas como estética, mas como liberdade para combinar materiais, proporções e códigos de vestuário.

A apresentação aconteceu no Palais de la Femme, em Paris, que celebra cem anos de atividade. O edifício oferece moradia e apoio a mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade. A escolha do local foi acompanhada por uma colaboração com a organização Body & Soul, dedicada à prevenção do suicídio. A maison apresentou uma camiseta de edição limitada ligada à iniciativa.

Esse vínculo merece atenção porque faz parte de uma história mais ampla. Vivienne Westwood associou a moda a questões políticas e ambientais durante décadas, usando a visibilidade da marca para defender causas. A colaboração com Body & Soul mantém essa dimensão presente, embora a coleção não transforme a passarela em um manifesto único.

O desfile também reuniu pessoas de diferentes gerações e universos culturais. Farida Khelfa abriu a apresentação, e Natasha Lyonne apareceu em um casaco oversized com estampa de leopardo e flores. O poeta punk Stuart McKenzie participou da música do desfile, reforçando a relação da maison com personagens que escapam de uma ideia convencional de celebridade.

Desde a morte de Vivienne Westwood, em 2022, Kronthaler enfrenta a tarefa de conduzir uma marca cuja identidade está profundamente ligada à personalidade da fundadora. Sua relação com a maison, porém, vem de muito antes: em 2016, a linha principal passou a se chamar Andreas Kronthaler for Vivienne Westwood, reconhecendo formalmente sua participação no desenvolvimento criativo.

Na primavera-verão 2027, ele não tenta reproduzir uma coleção histórica nem reunir todos os códigos conhecidos da marca em cada look. A Cheat Jacket oferece um princípio de construção; os tecidos de Barbès trazem cor e textura; as peças leves respondem ao interesse por conforto e movimento. A história aparece nas decisões de design, e não apenas nas referências visuais.

É uma maneira consistente de manter a linguagem de Westwood em circulação. O legado não depende da repetição de corsets, tartan ou símbolos punk, mas da disposição de questionar como uma roupa é feita, usada e percebida.

Kronthaler começa com uma jaqueta antiga e termina com uma coleção que mistura referências históricas, tecidos encontrados em Paris, humor e compromisso social. As costas das peças recebem a mesma atenção que a frente, e o guarda-roupa se abre para combinações menos previsíveis.

A Vivienne Westwood da primavera-verão 2027 continua provocadora, mas também mostra o quanto a construção da roupa pode sustentar essa atitude.

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Redação Pitaya

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