Fashion Weeks

Sarah Burton começa a definir sua mulher Givenchy

Em sua terceira temporada à frente da Givenchy, Sarah Burton começa a definir uma mulher que não cabe em uma única identidade. Alfaiataria, jeans, couro, vestidos assimétricos e peças de diferentes níveis de formalidade formam um guarda-roupa pensado para acompanhar as mudanças de uma mesma mulher ao longo do dia.

Sarah Burton sabe que uma mulher raramente passa o dia inteiro sendo a mesma pessoa.

Ela pode sair de casa de jeans e terminar a noite de vestido. Pode querer uma roupa precisa pela manhã e algo mais livre algumas horas depois. Pode ocupar uma sala de reunião, pegar um avião, sair para jantar.

A primavera-verão 2027 da Givenchy parte dessa multiplicidade.

É a terceira temporada de Burton à frente da maison, e a coleção começa a mostrar com mais clareza o tipo de guarda-roupa que ela quer construir.

Sarah Burton começa a definir sua mulher Givenchy

Sarah Burton começa a definir sua mulher Givenchy

Sarah Burton começa a definir sua mulher Givenchy

Uma roupa para acompanhar

A palavra mais importante aqui é adaptação.

Burton trabalha com peças que podem assumir funções diferentes. Jaquetas peplum aparecem ao lado de jeans retos. Trench coats encontram saias de couro. Vestidos assimétricos dividem espaço com alfaiataria mais relaxada.

Há também peças que funcionam quase como armaduras: acessórios grandes, couro, estruturas rígidas.

Mas a coleção não fica presa à ideia de proteção.

Tecidos leves, franjas e pregas trazem movimento para a silhueta. As cores também escapam do repertório tradicionalmente sóbrio da Givenchy, com vermelho, azul, amarelo e verde aparecendo entre neutros.

A alfaiataria não precisa mandar no corpo

Burton tem uma relação longa com construção e alfaiataria.

Isso vem de sua passagem pela Alexander McQueen, mas não aparece na Givenchy como uma repetição do que ela já fez.

A alfaiataria está presente, mas a coleção deixa espaço para o corpo se mover.

Calças têm pernas retas. Casacos ganham proporções mais soltas. Algumas estruturas são marcadas na cintura, enquanto outras deixam a roupa cair.

É uma precisão menos rígida.

E isso importa para uma casa que durante décadas construiu sua imagem em torno de uma elegância bastante controlada.

A mulher Givenchy não precisa escolher

Uma das melhores coisas da coleção é que Burton não tenta criar uma personagem única.

Não existe apenas a mulher elegante da Givenchy.

Existe a mulher que usa jeans. A que quer um vestido assimétrico. A que prefere couro. A que gosta de um casaco grande. A que mistura tudo isso.

Essa variedade aparece também nas novas bolsas desenhadas por Marco De Vincenzo, que entram na coleção com formatos mais macios e alças que deixam as mãos livres.

É uma escolha coerente com a proposta.

Se a roupa precisa acompanhar diferentes momentos, os acessórios também precisam.

O que Burton está fazendo com a Givenchy

A questão para Burton nunca foi simplesmente atualizar a Givenchy.

Uma maison não muda apenas porque seu diretor criativo mudou. Existe um arquivo, uma reputação, uma clientela e uma expectativa sobre aquilo que a marca deveria parecer.

Burton está mexendo nessa expectativa pela construção.

Em vez de depender de uma silhueta única ou de uma imagem imediatamente reconhecível, ela começa a montar um guarda-roupa.

É uma estratégia menos barulhenta, mas mais difícil.

Porque um guarda-roupa precisa funcionar depois que o desfile termina.

Uma mulher em movimento

A Givenchy de Sarah Burton começa a fazer sentido justamente quando deixamos de procurar uma personagem.

A coleção não pede que a mulher seja sofisticada o tempo inteiro, nem rebelde, nem romântica, nem poderosa.

Ela pode ser tudo isso no mesmo dia.

Burton está construindo uma Givenchy que acompanha essa mudança.

E, depois de três temporadas, sua mulher começa finalmente a aparecer.

Compartilhar

Redação Pitaya

Sobre a autora

Redação Pitaya

Quando um texto aparece com esta assinatura, significa que ele foi construído por nossa equipe editorial. Estamos sempre em busca de histórias, ideias e conversas que merecem ser contadas, da cultura ao comportamento, da beleza ao bem-estar, passando por tudo aquilo que nos conecta como pessoas. Porque algumas histórias têm uma autores. Outras, são um pouco de todos nós.

Ver todos os textos

Se este texto ficou com você...

Gostou desta leitura?

Assine a newsletter da Pitaya e receba histórias como esta quinzenalmente.