Courrèges abre uma nova fase com Drew Henry
Em sua estreia, o novo diretor artístico recupera a cor, o humor e o espírito experimental de uma maison que ajudou a imaginar o futuro da moda
Drew Henry começou sua história na Courrèges com uma decisão simples: deixar a roupa falar.
No Palais de Tokyo, o cenário foi reduzido ao mínimo. Nada da caixa branca e da construção conceitual que marcou os desfiles de Nicolas Di Felice. Henry queria atenção para o elenco e para as roupas. O resultado foi uma coleção cheia de cor, com amarelo neon, verde ácido, tangerina, vinho e azul-marinho.



A mudança de atmosfera é significativa.
Fundada em 1961 por André Courrèges, a maison ajudou a definir uma ideia de futuro na moda dos anos 1960. Suas roupas geométricas, botas, minissaias e materiais associados à modernidade fizeram parte de uma transformação cultural que aproximou moda, tecnologia, juventude e movimento.
Henry não tenta reproduzir aquela época. Ele volta ao arquivo para lembrar que Courrèges nunca foi apenas branco, prata e linhas rígidas.
Um futuro mais colorido
A primeira coleção do designer parte de uma Courrèges mais divertida.
As cores aparecem em vestidos, casacos, saias e peças de alfaiataria. Há botas inspiradas no universo espacial, flores tridimensionais e uma mistura de volumes que deixa a coleção menos preocupada com a austeridade geométrica associada à maison nos últimos anos.
O próprio Henry contou que, ao pesquisar o arquivo, ficou surpreso com a quantidade de cor presente na história da marca. Também encontrou ali uma característica que queria recuperar: alegria.
Essa escolha dá uma direção clara para a nova fase.
Em vez de tratar o futurismo da Courrèges como uma estética congelada nos anos 1960, Henry parece interessado em descobrir o que existe de vivo naquela ideia de futuro.
O arquivo como ponto de partida
Existe uma diferença importante entre usar um arquivo e ficar preso a ele.
A Courrèges tem uma história tão reconhecível que seria fácil construir uma coleção baseada em referências óbvias a André Courrèges. Henry escolhe outro caminho. Recupera elementos, muda as proporções, amplia a paleta e introduz uma dose de humor.
A sensação é de uma maison que voltou a experimentar.
Isso importa porque a chegada de um novo diretor artístico costuma vir acompanhada da expectativa de uma ruptura. Na Courrèges, a situação é mais delicada. Henry precisa estabelecer sua identidade sem perder a força de uma marca que existe há mais de seis décadas.
Seu primeiro desfile não resolve essa questão, mas deixa uma direção bastante visível.
O futuro ainda está em construção
Drew Henry chega à Courrèges depois de uma sequência de designers que ajudaram a reposicionar a maison para uma nova geração. Agora, cabe a ele decidir o que vem depois.
Sua estreia aponta para uma Courrèges menos austera e mais aberta à cor, ao prazer e à experimentação. É uma leitura que faz sentido para uma casa fundada justamente sobre a ideia de que a moda poderia representar uma maneira diferente de viver.
O futuro, no caso da Courrèges, nunca foi apenas uma questão de aparência.
Talvez seja esse o principal desafio de Henry: fazer com que a ideia de futuro volte a significar alguma coisa para uma geração que já viu quase todas as suas imagens.
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