Diesel depois da meia-noite: a despedida de Glenn Martens
Glenn Martens encerra seus seis anos à frente da Diesel com um desfile imersivo que transformou a passarela em uma noite de clube, misturando nostalgia dos anos 1990, referências futuristas, couro, denim, pele à mostra e contrastes entre o sensual e o inocente. Com 200 performers do coletivo (La) Horde espalhados entre o público, a apresentação marcou a despedida do designer e o fim de uma era na marca. | Fotos: Filippo Fior
A terça-feira marcou o último desfile da Diesel sob o comando de Glenn Martens. O designer encerrou seus seis anos à frente da marca com um espetáculo grandioso e imersivo.
Escondidos entre o público estavam 200 performers do coletivo artístico sediado em Marselha (La) Horde, responsáveis por intensificar a atmosfera do desfile. Eles reproduziam cenas de pessoas se divertindo em uma boate, se aproximando intimamente e, em determinado momento, fazendo headbanging de forma coordenada. A performance foi tão envolvente que, como mostram alguns registros publicados nas redes sociais por convidados, até parte do público se deixou levar e entrou na dança, mergulhando ainda mais na experiência proposta pelo desfile.
O espaço foi construído e decorado para se parecer com uma boate. Para os fãs de ficção científica, a ambientação também evocava a imagem de um bunker futurista, unindo a nostalgia dos clubes à sua estética contemporânea e a elementos que apontavam para o futuro. O resultado foi uma exploração inteligente de contrastes ao longo de toda a apresentação.
Um dos temas da coleção apareceu nos decotes em duas cores, que avançavam pelo restante do tecido em formas semelhantes a espinhos ou trepadeiras. Combinado a peças clássicas de couro e aos códigos já conhecidos da Diesel, o detalhe de aparência quase orgânica se destacava especialmente diante de construções mais retas e tradicionais.
O interessante efeito óptico de uma peça que combina jeans e couro, costurada como se a costura interna estivesse do lado de fora, desperta uma forte nostalgia dos anos 1990. As sobreposições de cores vibrantes acrescentam outra camada à proposta.
Em alguns momentos, a construção das peças remete a embalagens ou bonecas, enquanto os tops fluidos e ajustados ao corpo reforçam o jogo de contrastes que Martens conduz ao longo de todo o desfile.
Os recortes em forma de orquídeas, combinados às partes do corpo deixadas à mostra, também exploram essa oposição: a pele exposta, provocativa e sensual, encontra flores de aparência inocente. Beleza e luxo dividem a cena em um espaço cuidadosamente concebido por Martens para dar às suas criações o palco que elas mereciam.
No fim, a coleção respira a própria história da Diesel enquanto a marca se prepara para entrar em uma nova fase com um designer que ainda não foi anunciado. Martens, porém, encerra seu ciclo em grande estilo, deixando uma expectativa alta para quem vier depois: preservar a essência da Diesel sem perder a capacidade de mantê-la fresca e provocadora.



Sobre a autora
Yve é autora, podcaster e criadora de conteúdo alemã. Na Pitaya mag, ela é a nossa Deputy Editor. Apaixonada por cultura pop, entretenimento e bem-estar, acompanha de perto as conversas que movimentam o cenário internacional, dos lançamentos mais comentados às mudanças de comportamento que surgem ao redor deles. Já participou de painéis sobre entretenimento na Magic Con (Alemanha) e é autora de romances publicados internacionalmente. Na Pitaya, escreve sobre tudo o que conecta cultura, lifestyle e as histórias por trás dos acontecimentos que atravessam o mundo.
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