‘Menina de Asas’ transforma infância, imaginação e pertencimento em animação brasileira
Primeiro filme dirigido por Luciana Druzina, curta integra projeto transmídia e segue trajetória por festivais brasileiros e internacionais
Em um mundo onde todos nascem de ovos e têm asas, Ruth guarda um segredo: nasceu diferente. No tradicional Dia do Ovo, enquanto enfrenta a curiosidade de sua comunidade, ela embarca em uma jornada por universos fantásticos ao lado de personagens como o Pequeno Príncipe, Alice e Dom Quixote, descobrindo que suas asas estão na imaginação. Está é a premissa de “Menina de Asas”, curta de animação dirigido por Luciana Druzina que aborda a infância, a aceitação e a liberdade de imaginar.
Com 12 minutos de duração, o filme é uma produção das empresas gaúchas Druzina Content, Lazuli Filmes e Hathor Filmes. A distribuição fica por conta da Arcadia. Vencedor do prêmio de Melhor Filme na categoria Infâncias na Tela no 4ª Mostra de Cinema Chica Pelega (SC), o curta segue em circuito de festivais Brasil afora. Em outubro, “Menina de Asas” alça voo para sua première europeia no FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Portugal). O curta passa no dia 6.
Ainda em outubro, a produção será exibida na 19ª Baixada Animada (RJ), 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (SC) e 26º Festivalzinho de Cinema de Vitória (ES). Recentemente, o curta integrou o 23º FICI: Festival Internacional de Cinema Infantil (RJ), considerado um dos principais eventos brasileiros do gênero. O filme teve sua première no 24º Curta-Se, Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe. O projeto também foi apresentado em mercados internacionais como Kidscreen (EUA), Ventana Sur (Argentina/Uruguai) e MIPJunior (França).

Luciana Druzina, CEO da Druzina Content, com 20 anos no audiovisual e conteúdos em mais de 60 países, assina a direção deste que é seu primeiro filme. Membro da International Academy of Television Arts & Sciences e jurada dos prêmios Emmy, assume aqui um olhar autoral sobre a infância, dividindo a produção executiva com Amanda Ruano e Daniela Azeredo. “Menina de Asas” não é apenas um curta, mas parte de um projeto transmídia liderado por mulheres.
Ruth protagonizou também o videogame “Winged”, que já tem uma sequência em produção prevista para o segundo semestre de 2027. O primeiro jogo, lançado para Android e IOS no ano passado, chegou às plataformas mobile em mais de 50 países. Cada uma das cinco fases desbloqueia diferentes clássicos literários infantojuvenis como “Alice através do Espelho” e “Peter Pan”. O jogo tem produção da Druzina Content, em parceria com a Sorora Game Studio, e mistura ação, aventura e a paixão pela leitura.
Dentro do mesmo universo, “Menina de Asas” se passa em um um reino onde todas as crianças nascem de ovos e possuem asas. Ruth é diferente: nasceu do ventre da mãe. Seu segredo vem à tona no “Dia do Ovo”, atividade escolar em que cada criança mostra sua casca. Ruth encontra na literatura seu refúgio e uma maneira de compartilhar suas experiências.
“Na direção, buscamos uma animação 2D com traço delicado, textura artesanal e uma estética próxima do livro ilustrado”, explica Luciana. Os enquadramentos traduzem o olhar da infância, entre o encantamento e a solidão e as descobertas de Ruth. “A ideia era criar uma imagem sensível, colorida e poética, em que cada escolha visual, do desenho à composição, ajudasse a revelar as asas invisíveis da imaginação”, complementa.
Luciana explica que o desenho de som foi pensado como uma extensão da criatividade de sua protagonista: “A trilha cria uma atmosfera lúdica e sensível, enquanto os efeitos sonoros constroem a textura concreta desse universo e o som das memórias, dos livros, dos pequenos gestos e das descobertas”. Para preservar a espontaneidade e a delicadeza da infância na narrativa, a produção reuniu um elenco formado por crianças de seis a 15 anos.

“Menina de Asas” conta com financiamento do edital Narrativas Transmídias para Infância e Juventude — Curta-Metragem de Animação e Jogo Eletrônico, do Ministério da Cultura em parceria com a ANCINE, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual. O filme tem recursos de acessibilidade, incluindo Língua Brasileira de Sinais (Libras), audiodescrição (AD) e legendas para surdos e ensurdecidos (LSE).
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