Marques’Almeida se arruma sem perder o desfeito
Na estreia da Marques’Almeida em Milão, Marta Marques e Paulo Almeida aproximam o denim cru, a desconstrução e os códigos utilitários da marca de cetim, renda, paetês e volumes de festa. Uma coleção que amplia a linguagem da dupla sem apagar suas bordas.
A Marques’Almeida chegou a Milão pela primeira vez e escolheu o Palazzo Isimbardi para apresentar uma coleção que coloca duas partes da sua identidade na mesma sala.
De um lado, o denim cru, as bordas desfiadas, os zíperes aparentes e a construção que parece ter sido interrompida antes de ficar perfeitamente acabada. Do outro, cetim, paetês, rendas, volumes de festa e enormes estruturas de penas.
Marta Marques e Paulo Almeida não abandonam a linguagem que construíram desde Londres. Eles aumentam o contraste.
A abertura traz denim em tons de verde-oliva, corsets estruturados, saias cargo, calças amplas e mangas deslocadas dos ombros. São peças que carregam o lado utilitário da marca e deixam a construção à mostra.
Depois, a coleção começa a ganhar outra temperatura.
Cetim magenta aparece em volumes franzidos. Um vestido azul-claro se transforma em uma silhueta fluida, enquanto conjuntos de renda preta deixam a pele participar da construção. Há também peças de paetês, brocados e alfaiataria com proporções bastante amplas.
As penas são um dos elementos mais chamativos. Elas aparecem em enormes estruturas sobre a cabeça e em acessórios que alteram completamente a proporção dos looks. Em vez de suavizar a coleção, o recurso aumenta sua teatralidade.
A festa entra na Marques’Almeida sem transformar a marca em outra coisa.
Um dos looks mais interessantes da coleção resume essa passagem: denim escuro recebe uma grande flor feita do próprio tecido, com bordas cruas. A peça continua sendo imediatamente Marques’Almeida, mas já não pertence apenas ao universo do streetwear desconstruído.
Essa foi uma estreia importante para a dupla portuguesa. Depois de construir sua trajetória principalmente em Londres, Marta Marques e Paulo Almeida chegam ao calendário de Milão com uma coleção que não tenta esconder de onde vieram.
A mudança está no que eles fazem com essa identidade.
O desfeito pode ganhar cetim. O denim pode virar flor. Uma roupa de ocasião pode continuar com a borda crua.
Em Milão, a Marques’Almeida não precisou escolher entre sua origem e uma nova escala de sofisticação. Colocou as duas coisas na mesma passarela.
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