Fashion Weeks

MSGM não quer começar de novo. Quer lembrar quem era

Depois de uma fase de transição, Massimo Giorgetti retorna à essência da MSGM para a primavera-verão 2027. Cor, gráficos, brilho, referências esportivas e uma colaboração com o artista italiano Mario Schifano aparecem em uma coleção que prefere recuperar a personalidade da marca a inventar uma nova.

Há uma certa obsessão pela palavra “novo” na moda. A cada temporada, marcas parecem precisar anunciar uma ruptura, uma nova identidade, uma nova mulher, uma nova maneira de vestir. Para a primavera-verão 2027, Massimo Giorgetti escolheu fazer outra coisa com a MSGM: voltar a olhar para aquilo que já estava ali.

Não se trata de reconstruir a marca. A coleção funciona mais como uma limpeza de superfície.


Giorgetti recuperou alguns dos princípios que fizeram a MSGM reconhecível desde o começo: cor, imagens gráficas, brilho, mistura de referências e uma certa liberdade para colocar coisas incompatíveis lado a lado. Alfaiataria encontra peças esportivas; nylon aparece com chiffon e musseline; elementos femininos dividem espaço com referências masculinas e detalhes militares.

A colaboração com a Fundação Mario Schifano ajuda a levar essa ideia para outro lugar. Obras do artista italiano aparecem filtradas pelo repertório da MSGM, em vez de simplesmente reproduzidas sobre as roupas. Amore nel Deserto, por exemplo, vira estampa em saia e camiseta, enquanto interiores, palmeiras e cavalos associados ao trabalho de Schifano para a família Agnelli aparecem em outras peças.

É uma coleção que entende arquivo como matéria-prima, não como obrigação.

A diferença parece pequena, mas muda bastante a conversa. Quando uma marca passa tempo demais tentando provar que está se reinventando, pode acabar apagando justamente aquilo que a tornou interessante. Giorgetti parece partir da ideia oposta: lembrar o que funcionava para conseguir seguir adiante.

A MSGM não precisava inventar uma nova personalidade.

Precisava abrir espaço para a antiga voltar a respirar.

E, em uma temporada em que tantas casas estão discutindo identidade, essa escolha mais simples acaba sendo uma das mais claras.

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Redação Pitaya

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