De onde vem o nosso estilo?
Matteo Tamburini parte das imagens, músicas e referências que marcaram sua juventude nos anos 1990 para pensar como a memória se transforma em estilo. Na Tod’s, esse repertório encontra o couro, o Gommino e uma aproximação entre códigos clássicos e esportivos.
Antes de existir um guarda-roupa, existem imagens.
Um filme que fica na memória. Uma música ouvida repetidamente na adolescência. Uma fotografia arrancada de uma revista. Uma pessoa cuja maneira de se vestir parece, anos depois, ter deixado alguma coisa dentro de nós.
Matteo Tamburini começou a primavera-verão 2027 da Tod’s justamente por aí: perguntando como essas imagens acumuladas ao longo da vida acabam se transformando em estilo.
A resposta começa nos anos 1990, década em que o designer cresceu e que também coincide com um período importante para a própria Tod’s, antes da expansão da marca no início dos anos 2000. A memória pessoal e a memória da casa, portanto, partiam de um território parecido.
Tamburini não tentou reproduzir os anos 1990.
Em vez disso, levou algumas de suas referências para um guarda-roupa mais esportivo e contemporâneo, preservando códigos reconhecíveis da Tod’s. A ideia era não resolver as diferenças entre o formal e o esportivo, mas deixar que elas continuassem existindo dentro das mesmas roupas.
Isso aparece no couro.


Um dos materiais mais importantes da casa é tratado de maneiras pouco óbvias: recortado, exposto, transformado em uma espécie de intársia extremamente leve ou trabalhado à mão. Um casaco de nobuck ganha efeito marmorizado; vestidos e saias de couro assumem formas mais fluidas.
O Gommino também retorna, mas não simplesmente como objeto conhecido. O motivo perfurado aparece em diferentes pontos da coleção, aproximando o acessório de um vocabulário mais amplo.
Há ainda tecidos leves, como o Windsilk, que dão movimento às calças e fazem a roupa reagir ao corpo em vez de permanecer rigidamente construída.

Tudo parece partir de uma mesma preocupação: como pegar uma referência conhecida e deixá-la mudar de acordo com a pessoa que a veste?
É uma pergunta que interessa particularmente a uma marca como Tod’s.
Existe uma imagem muito forte associada à casa: couro italiano, acabamento impecável, mocassim, luxo discreto. Esses códigos não precisam ser abandonados para que a marca avance. Mas precisam continuar encontrando novas situações de uso.
O que Tamburini faz é deixar que o esporte entre no formal sem transformar o formal em esporte.
A roupa continua elegante. Só não precisa parecer imóvel.
Talvez seja assim que a memória funciona também.
Ninguém passa a vida vestido de uma década. O que permanece são fragmentos: uma textura, uma proporção, uma fotografia, uma maneira de combinar duas coisas.
Com o tempo, essas referências deixam de parecer referências.
Viraram estilo.
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