Fashion Weeks

Da heroína gótica à garota da Califórnia

David Koma muda o cenário da Blumarine para a primavera-verão 2027 e leva sua personagem para a Califórnia. Praia, lingerie, transparências e referências ao Los Angeles dos anos 1970 e 2000 dão outra temperatura à sensualidade da marca.

A garota Blumarine estava precisando de férias.

Depois de algumas temporadas sob o comando de David Koma mergulhando em um romantismo mais escuro, a primavera-verão 2027 decidiu trocar as sombras pelo sol. O destino escolhido foi a Califórnia.

A mudança começou fora da passarela. Koma voltou a Los Angeles para uma viagem de pesquisa, cidade que visita regularmente para reorganizar as próprias referências. Dali veio uma nova versão da personagem que vem construindo para a Blumarine: menos heroína gótica, mais garota californiana, entre a praia e o boudoir.

Mas mudar a paisagem não significa abandonar a identidade.

A coleção continua trabalhando com transparências, lingerie, tule e silhuetas próximas ao corpo. A diferença está na maneira como essas peças encontram elementos associados ao universo praiano.

Beachwear se transforma em roupa de noite. A roupa de noite aparece propositalmente desfeita. A sensualidade continua, mas perde parte da solenidade que acompanhava a mulher mais sombria das coleções anteriores.

A Califórnia imaginada por Koma também não é exatamente a de um cartão-postal.

Há referências ao Los Angeles do começo dos anos 2000 e à fantasia sexual dos anos 1970, além de uma mistura de surf, lingerie e uma certa ingenuidade fabricada. Os tons pastel aparecem mais próximos de cores queimadas pelo sol do que de uma doçura açucarada. Rendas, babados e transparências introduzem um lado mais provocador.

A coleção funciona justamente porque não tenta resolver essas contradições.

Inocência e desejo aparecem juntas. Praia e noite também. O corpo pode estar exposto, mas a roupa ainda conserva algum grau de construção e controle, característica que continua importante para Koma.

É uma mudança de humor, não uma troca de personalidade.

Isso é especialmente relevante para uma marca como Blumarine, cuja imagem está tão associada a uma fantasia feminina específica. Mudar demais poderia fazer a personagem desaparecer. Permanecer exatamente no mesmo lugar faria a coleção parecer uma repetição.

Koma escolheu deslocá-la.

A garota continua romântica, mas agora está sob o sol. Continua sensual, mas parece menos interessada em parecer intocável. A roupa de noite pode ter areia imaginária. A roupa de praia pode carregar uma intenção de festa.

No fim, a Califórnia funciona menos como destino geográfico e mais como uma mudança de comportamento.

Depois de algumas temporadas olhando para a noite, a Blumarine resolveu abrir as janelas.

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Redação Pitaya

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