Fashion Weeks

Como a moda se veste para um mundo mais quente

A Sportmax leva as ondas de calor para o centro da criação da primavera-verão 2027. Casacos sem mangas, organza, transparências e novas maneiras de trabalhar o couro refletem uma pergunta cada vez mais concreta: como adaptar o guarda-roupa a um planeta mais quente?

No meio do desfile da Sportmax, um raio de sol atravessou o pátio do Palazzo Litta e atingiu justamente uma parte da plateia. Foi uma coincidência bastante conveniente para uma coleção que nasceu pensando no calor.

A primavera-verão 2027 da marca parte de uma questão que já não pertence apenas aos relatórios sobre clima: como nos vestiremos quando as ondas de calor forem parte cada vez mais frequente da rotina?

A Sportmax decidiu tratar o problema como uma questão de design.

A resposta mais evidente está nos casacos. As mangas desaparecem de boa parte deles, deixando peças que preservam a ideia de proteção e estrutura, mas permitem maior circulação de ar. A organza de seda aparece em camadas tão leves que quase desaparecem sobre o corpo, às vezes duplicada em cores diferentes, às vezes formando uma espécie de película sobre peças mais substanciais.

Há também calças de organza, presas por cintos nos tornozelos, e vestidos de algodão com bordados que recebem essas camadas transparentes.

É uma coleção que pensa no calor sem transformar a roupa em uniforme de sobrevivência.

E justamente por isso o couro chama atenção.

O material aparece com frequência em uma coleção construída a partir da ideia de leveza, o que cria uma contradição quase inevitável. Por que usar couro quando o problema é o excesso de calor?

A pergunta é produtiva porque impede que a solução pareça simples demais. Vestir-se para um clima mais quente não significa simplesmente retirar tecido. Envolve pensar em peso, circulação, proteção, textura e na própria função que uma peça precisa cumprir.

A Sportmax nasceu com a intenção de refletir seu tempo, segundo as notas da coleção. Para a primavera-verão 2027, esse tempo inclui um planeta em aquecimento.

A mudança climática começa a aparecer na moda de maneiras diferentes. Pode estar na escolha de materiais, na arquitetura das peças, na quantidade de camadas ou na necessidade de imaginar roupas para temperaturas que já não correspondem às referências para as quais boa parte dos guarda-roupas foi desenhada.

Durante muito tempo, falar de moda e clima significava discutir sustentabilidade, produção ou impacto ambiental. São questões fundamentais, mas existe outra camada que começa a se tornar impossível de ignorar: o próprio ato de vestir.

O que acontece com uma camisa quando o verão se torna mais extremo? E com um casaco? Uma calça? Uma peça de couro?

A Sportmax não resolve essas perguntas em uma coleção. Nem deveria.

O que faz é colocar uma delas dentro da própria roupa.

Talvez seja esse o ponto em que a mudança climática deixa de ser um tema externo à moda e passa a interferir diretamente no desenho do que usamos.

O calor não está mais apenas na previsão do tempo.

Ele já chegou à passarela.

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Redação Pitaya

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